
"Já foi provado que as árvores podem aparecer do nada, como fantasmas.
(...)
Depois que você foi embora - não imediatamente, mas depois de o verão acabar -, eu derrubei o amieiro debaixo do qual costumávamos ficar lendo, sentados lado a lado na toalha de piquenique da sua mãe; debaixo do qual adormecemos daquela vez, escutando o zumbido das abelhas. Estava velho, podre e todo bichado, embora brotos ainda surgissem em seus galhos na primavera. Eu disse a mim mesmo que não queria que o vento o derrubasse em cima da casa, muito embora ele não estivesse inclinado na direção dela. Mas agora, ás vezes, quando estou lá fora no grande vazio do quintal, o vento sopra e assobia, puxando as minhas roupas. Fico pensando: o que mais estará assobiando junto com ele?"
Detalhes:


Nenhum comentário:
Postar um comentário